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Renovação do conselho — Parte 2: o que buscar em termos de competências e liderança

A empresa global de busca de executivos Spencer Stuart relata que “a eficácia de um conselho depende essencialmente de sua composição”. Isso é a mais pura verdade: ter a combinação certa de diretores, além de um conjunto de competências que atenda às necessidades únicas da sua empresa, é fundamental para o sucesso do conselho.

Se considerarmos a pesquisa realizada pela PricewaterhouseCoopers, que concluiu que 35% dos diretores acreditam que ao menos um membro de seus conselhos deveria ser substituído, é importante que as empresas estejam preparadas para uma renovação. Uma vez que você compreenda por que e quando deve agir (link to Part 1), deve começar a pensar sobre o recrutamento. A empresa deve saber exatamente quais habilidades buscar em seus futuros diretores, para aprimorar e dinamizar seu conselho.

Identifique as competências mais necessárias

Em 2015, a NACD (National Association of Corporate Directors) abordou o tema da renovação do conselho em uma entrevista em vídeo com dois especialistas: Robert Hallagan, vice-presidente e diretor-gerente de serviços de liderança do conselho da Korn Ferry, e Steven R. Walker, assessor jurídico, secretário e diretor de serviços de consultoria do conselho da NACD. A mentalidade corporativa e as tendências demonstradas na entrevista permanecem relevantes.

“Conselhos deveriam ser um trunfo estratégico e uma fonte de vantagem competitiva em longo prazo”, disse Hallagan. Antes de perguntar a cada membro do conselho “qual conjunto de habilidades e competências agrega mais valor”, dedique “uma boa parte do seu tempo a pensar sobre os desafios dos próximos cinco ou dez anos” e identifique em quais pontos a empresa precisa se destacar, afirmou ele.

Segundo Walker, os conselhos precisam ser “extremamente ágeis” e antecipar problemas corporativos em potencial com antecedência de três a cinco anos. Isso permite que a empresa avalie as competências necessárias para enfrentar futuros desafios.

Diversifique os conhecimentos do conselho

Descobrir quais são as carências do conselho em termos de competências nem sempre é uma tarefa fácil, mas existem ferramentas que podem ajudar. A Spencer Stuart, por exemplo, utiliza uma matriz de competências: um esquema de competências, perspectivas e exigências demográficas desejáveis para a empresa. Uma matriz como essa permite pensar sobre o conselho ideal e as experiências necessárias para avançar nos negócios.

A empresa de planejamento organizacional e desenvolvimento de liderança Armstrong McGuire recomenda uma matriz similar para a composição e o recrutamento dos membros do conselho. Além das competências dos membros, a matriz também pode incluir critérios mais amplos, como o capital intelectual.

Quando o assunto são as habilidades específicas que as empresas devem priorizar, a diversificação é fundamental. Cada habilidade tem suas vantagens e pode ser aplicada estrategicamente para auxiliar o crescimento corporativo. Conhecimentos nas áreas de marketing e comunicação podem ajudar uma empresa a desenvolver um plano de marketing ou a estabelecer um relacionamento melhor com os meios de comunicação locais para fins publicitários, afirma a Armstrong McGuire. Conhecimentos financeiros, por outro lado, podem servir de base para a tomada de decisões orçamentais e as práticas financeiras. “Experiência com arrecadação também é fundamental”, observou um colaborador da Armstrong McGuire, “pois todos os membros do conselho devem fazer uma doação para a campanha anual do conselho e ter as competências necessárias para solicitar fundos ou abrir as portas para os financiadores”.

Vá além das habilidades práticas

Em uma análise de empresas familiares, a Harvard Business Review constatou que o sucesso de um conselho em longo prazo não depende apenas das habilidades práticas, mas também dos valores compartilhados e da capacidade de um diretor adequar-se à cultura corporativa. Para o estudo, um membro executivo da Harvard Business School uniu-se a dois especialistas em empresas familiares internacionais para avaliar as 50 empresas familiares mais importantes e desvendar suas melhores práticas.

“Quando analisamos as transcrições de nossas entrevistas, encontramos uma coincidência de 95% entre os termos utilizados pelos membros de todas as empresas familiares e por executivos de empresas não familiares para descrever seu espírito corporativo: palavras como respeito, integridade, qualidade, humildade, paixão, modéstia e ambição”, indicou o estudo. “Os membros dessas famílias relatam que, ao avaliar os candidatos a executivos seniores, a adequação cultural é, acima de tudo, a principal consideração”.

Outra qualidade que Hallagan procura em novos membros do conselho é a capacidade de manter “seus egos sob controle”. A Get On Board Australia, que tem como foco o desenvolvimento e a formação de diretores, concorda que isso é importante, observando que “grandes diretores deixam seu ego fora da sala de reunião e agem verdadeiramente em conformidade com os interesses da empresa, e não de acordo com seus próprios interesses”.

Entretanto, ao recrutar um novo presidente do conselho, as empresas devem buscar uma combinação de experiência e destreza na liderança. Ser um bom ouvinte, ter competência para interpretar a dinâmica do grupo e a capacidade de desafiar e instruir seu conselho foram as características mais importantes identificadas pela publicação britânica Management Today.

Se a composição do conselho é diretamente responsável por sua eficácia, então é óbvio que as habilidades dos diretores, bem como a identificação das habilidades ideais para o seu conselho, levarão a sua empresa ainda mais longe.

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