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Como os conselhos de administração devem gerenciar acionistas ativistas

No ano passado, uma investigação sobre acionistas ativistas — indivíduos ou grupos que usam sua participação em uma corporação para realizar mudanças — constatou que “o ativismo muitas vezes melhora os resultados operacionais de uma empresa (quase na mesma proporção em que não o faz)”, segundo a APICS.

O estudo analisou 71 campanhas e investidores ativistas, como Nelson Peltz, cujo Trian Fund Management é um dos dez maiores acionistas da General Electric Co., e William Ackman, que, por meio da Pershing Square Capital Management, investiu na J.C. Penney.

Isso significa que os conselhos precisam estar preparados para gerenciar acionistas ativistas. De acordo com uma pesquisa realizada pela Deloitte, cerca de três quartos dos diretores financeiros de empresas de capital aberto já tiveram experiência com acionistas ativistas.

Recentemente, a Diligent convidou cerca de 40 membros de conselhos de administração para conversar sobre a atuação de acionistas ativistas em um evento multipainel. Veja aqui o que descobrimos e como esses insights exclusivos podem ser aplicados ao seu próprio conselho.

O ativismo chegou para ficar

Conforme o Hedge Fund Research, hoje os acionistas ativistas gerenciam cerca de USD 120 bilhões em ativos. Portanto, não há dúvidas de que essa participação pesa para diretores e para os membros da gerência corporativa. Agora, mais do que nunca, investidores de longo prazo estão apoiando fundos ativistas, e até mesmo tornando-se eles mesmos “ativistas leves”. Ao investir capital para tentar realizar mudanças, os acionistas assumem o papel que os bancos de investimento antes exerciam.

Porém, é importante considerar as metas e motivações desses novos atores e avaliar o impacto em sua empresa. De acordo com a APICS, mais da metade das campanhas de acionistas ativistas analisadas por um recente estudo do Wall Street Journal resultou em melhores retornos para os acionistas. Dito isso, subir o valor das ações em curto prazo pode não estar de acordo com as metas em longo prazo de sua empresa.

Os membros do conselho devem se perguntar: se as ideias que você estiver ouvindo fossem propaladas pela Goldman Sachs e não por um acionista ativista, sua reação seria diferente? Adotar essa postura pode ajudar os conselhos a superar os preconceitos existentes e considerar o valor real das sugestões propostas por acionistas ativistas.

Pense como um ativista

Os conselhos devem se perguntar se têm recursos suficientes para “saber o que um ativista sabe”. Os ativistas dispõem de um arsenal de informações, o que pode colocá-los em uma posição de poder. Os conselhos devem observar os sinais de que um ativista pode estar preparando mudanças, como programar várias reuniões com o CEO. Executivos com boas relações com o investidor podem ajudar, já que estão bem informados sobre acionistas em potencial e o respectivo histórico. Nem todos os ativistas serão transparentes sobre seus alvos específicos. Assim, manter-se informado é essencial.

Otimize seu conselho

Os conselhos não devem acomodar-se. A renovação do conselho de administração é essencial, particularmente quando o desempenho da empresa não é o esperado. Os acionistas de hoje querem diretores participativos e estratégicos. Conselhos que não atendam a esses requisitos podem tornar-se alvos. Os ativistas normalmente não aparecem, a não ser que vejam um caminho para a vitória.

Também é aconselhável estabelecer e manter contato com jornalistas. Os ativistas frequentemente envolvem a mídia em sua causa, aproveitando o contato que têm com jornalistas. Se você quer conquistar seus outros acionistas, convém iniciar uma campanha de relações públicas. No terceiro trimestre passado, uma guerra de relatórios aos acionistas entre a Ultratech, Inc. e a Neuberger Berman Group, levou a Ultratech a divulgar uma declaração em uma tentativa de “esclarecer os fatos relacionados às numerosas imprecisões e deturpações feitas pela Neuberger Berman”. A declaração tinha mais de duas dúzias de fatos para fins de comprovação.

Os membros de conselhos de administração com que conversamos concordam que as respostas mais eficazes são aquelas claras e simples.

Evite danos colaterais

Quando um conselho se vê em meio a uma situação complicada com um acionista ativista, ele deve reagir de maneira rápida e decisiva. Isso requer um plano de resposta predeterminado. A gerência e os diretores devem sempre manter linhas de comunicação abertas e compartilhar informações relacionadas a situações que envolvam ativistas em potencial. Essa é uma das vantagens de usar um portal para conselhos, já que essa tecnologia facilita a troca de informações.

É importante para os conselhos evitar uma guerra de relatórios aos acionistas, já que isso pode ser uma ameaça direta à reputação do diretor envolvido e prejudicial ao mandato do CEO. No caso da Ultratech, a Neuberger criticou publicamente o desempenho e a venda de ações no mandato do fundador, presidente e CEO da empresa, conforme reportado pela Bloomberg.

Muitos diretores veem os ativistas como invasores corporativos, ou até mesmo justiceiros, que colocam pressão pública sobre uma empresa para atender aos seus próprios interesses. Com uma estratégia efetiva para gerenciá-los, os conselhos podem aumentar sua capacidade de manter o controle.

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